11.28.2010

(m) Moutinho & Mayra

Falta-me em palavras o que me sobra em emoção ao ouvir esta "Alfama". Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado...
.
.

11.21.2010

Esta semana, um dos mais conhecidos blogues da Marinha Grande, O Largo das Calhandreiras, atribuiu ao Venham Mais Cinco um “Dardo”. Agradeço-lhes a referência e, ainda na "ressaca" do “Espectáculo de Variedades” de ontem à noite no auditório do Sport Operário Marinhense, com os Bandalhos, dedico-lhes esta versão do “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho, que tocámos na alvorada de 25 de Abril de 2010.



10.23.2010

(m) Mentira

Obrigado Zé Polido & Cª. Muito, mas mesmo muito bom!



A Mentira by estadosonico


O que eu não sou nada me diz
Nada tenho para te dar
Tudo aquilo que eu quis
Nada posso encontrar
Aquilo que posso esquecer
No fundo é tudo o que eu quis amar

Quero romper
A surda voz
Da mentira que somos nós
Nada me conduz
Nada me seduz
Ninguém quer crescer
Nada para dizer

O que eu não sou nada me diz
Nada tenho para te dar
Os espaços onde me vês
No fundo é tudo o que eu quis amar

Quero romper
A surda voz
Da mentira que somos nós
Nada me conduz
Nada me seduz
Nada para dizer
Nada para dizer

Quero romper
A surda voz
Da mentira que somos nós
Nada me conduz
Nada me seduz
Ninguém quer crescer
Ninguém quer crescer


8.19.2010

(l) "Labarossa"

Paco de Lucia com dedicatória: um grande abraço ao Zé Lérias.


7.04.2010

(j) Jornalistas da Cumeira

No ano lectivo de 2008/2009, o meu Francisco frequentava a Escola Básica da Cumeira.
Pouco depois do início das aulas fui convocado para uma reunião de pais onde foram apresentados, o plano de actividades, o plano de segurança, etc, etc, tendo as professoras aconselhado os pais a lerem os documentos então apresentados, os quais seriam afixados numa das paredes da escola. Como cada documento era composto por uma grande quantidade de páginas, a coisa resultava num autêntico estendal.
Alguns dias depois contactei com a professora do meu filho e sugeri-lhe que a escola tivesse um blogue. Dessa forma, para além das pessoas poderem aceder de forma fácil e cómoda aos documentos apresentados, também poderiam dar a conhecer à comunidade as actividades que se iam realizando, abrindo igualmente caminho à produção de conteúdos, resultantes da actividade pedagógica, para de certa forma o irem “alimentando”.
A ideia foi bem acolhida nascendo assim, em Janeiro de 2009 um dos blogues mais interessantes que conheço e que dá pelo nome de “
Jornalistas da Cumeira”, nome herdado duma pequena publicação trimestral que já era produzida pela mesma escola, em suporte de papel.
É por isso com grande satisfação que vejo que o blogue, ao fim do segundo ano lectivo de existência, mantém o mesmo espírito e a mesma dinâmica, sendo um bom exemplo da forma como a escola pode utilizar, para proveito de todos, esta interessante ferramenta que veio democratizar a divulgação de conteúdos a uma escala inimaginável há alguns anos atrás.
Para completar esta minha referência, deixo ainda um vídeo muito engraçado, relativo a um dos trabalhos realizados pela turma do 4º ano daquela escola, no ano lectivo de 2008/2009, no âmbito do projecto pedagógico que decorria naquele ano lectivo “Conhecer Profissões, Artes e Ofícios”. Neste caso
a profissão era a de repórter e os pequenos jornalistas não se saíram nada mal. Sobretudo o pivot, que é mesmo parecido com o meu Francisco.


7.01.2010

(m) Música


Só há poucos dias consegui as fotos deste que foi um daqueles dias que jamais esquecerei, 25 de Abril de 2010. O Francisco tocou comigo pela primeira vez. A Morte Saiu à Rua e Utopia, de Zeca Afonso, no salão nobre da câmara municipal. Ele estava de cravo vermelho e eu estava nervoso e comovido. Oxalá se repita.


Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

(Zeca Afonso)

Teatro no Sport Operário Marinhense


6.09.2010

(m) Michel Petrucchiani

Não posso deixar de partilhar convosco o génio e o talento deste pequeno Homem, a provar que a música é genial quando os Homens são geniais. E no meu caso foi “amor à primeira vista” ao passar de raspão pelo Mezzo. Simplesmente soberba esta “bossa nova” jazzada com virtuosismo – Brazilian Like.


6.03.2010

(s) Sigur Rós

Porque da Islândia não chegam só más notícias, Sigur Rós. Porque a música, tal como a vida, não tem de ser complicada ou demasiado elaborada. É preciso é que faça sentido e que nos leve a algum lugar. Que nos faça acreditar que amanhã será melhor que hoje. Porque só acreditando no que de melhor o homem tem é que poderemos apaziguar a incerteza que parece ter-se apoderado das nossas vidas.



5.21.2010

(f) Fado em Si Bemol (Os Putos)

Como não sei qual das duas gosto mais, vão as duas. Embrulhe por favor que é para oferecer.




Fado em Si Bemol - Os Putos

5.01.2010

(c) de CARUMA (e de Carlitos)

Ontem à noite tive o grande prazer e privilégio de ouvir a estreia dos CARUMA, em Leiria, no festival Fade In. Não fiquei surpreendido nem pela qualidade, nem pelo talento, nem pelo estilo muito próprio desta nova banda, com fortes raízes marinhenses, e que é composta por alguns amigos. O que me surpreendeu foi a grande cumplicidade que revelaram em palco e a sensibilidade com que nos souberam transmitir a forte mensagem musical e poética dos seus temas originais. Estão todos de parabéns e em especial o Carlitos (que para mim será sempre o Carlitos), que há muito merece o reconhecimento inequívoco do seu enorme talento. Acho mesmo que os CARUMA vão dar muito que falar.

Esta e outras aqui. Aconselho vivamente.



.

4.11.2010

"Os Bandalhos" voltam ao palco

Depois de uma "noite memorável" na sede da Sociedade de Instrução e Recreio 1º de Dezembro (Picassinos), correspondendo ao simpático convite da CISCO, na noite de 24 para 25 de Abril, eu, o Nuno Brito, o Marco Tenório e o Bruno Lemos, lá estaremos nas comemorações do Dia da Liberdade (organizadas pela CMMG em parceria com a CISCO), para cantar esta e outras cantigas. Em breve revelarei as restantes.

3.27.2010

"Um concerto no Sport Operário Marinhense"





Em vésperas do 25 de Abril, e à parte algumas imprecisões, um testemunho sobre Zeca Afonso publicado no blog da AJA.


"Passaram 23 anos após a morte de Zeca Afonso. Em 23 de Fevereiro de 1987, após uma dura luta contra a grave doença que o atormentava, viria a sucumbir no leito do hospital.
Muito já se disse do Homem, Poeta , Cantor e Compositor. Porém, nunca será de mais realçar o seu culto da amizade ao próximo, a solidariedade para com os mais desfavorecidos, a busca constante da liberdade para o seu Povo, bem presente nas suas canções.
Foste um "guerrilheiro" em que as tuas armas eram poemas e o ribombar dos teus canhões eram os sons das tuas baladas, entoadas em uníssono pelas multidões que te adoravam e adoram.
A censura e a repressão do antigo regime nunca te conseguiram calar. É de assinalar a ridícula acção da polícia política que em vésperas do dia 1º de Maio, te prendia preventivamente, para evitar que fosses fazer acções de canto livre junto das camadas trabalhadoras. Passada aquela data eras posto em liberdade.
A falta de liberdade antes de 25 de Abril de 1974, põe a ridículo as alegações caricatas de uns quantos políticos actuais que hoje apregoam não haver actualmente em Portugal liberdade de expressão. Onde está a censura prévia que cortava textos quase inteiros, a ponto de, o que restava, não ter qualquer sentido? Onde estão as prisões efectuadas nas madrugadas de hoje sobre aqueles que são de opinião política diferente do governo?
Tu, Zeca, para conseguires iludir os censores, em geral coroneis reformados, bordavas os teus poemas com expressões figuradas de simbolismos sub-reptícios de rara beleza.
Por falar em liberdade, lembro-me de um episódio a que felizmente assisti e que me marcou profundamente.
Decorria o ano de 1970 ou 1971. Foi publicitado que se iria realizar no Sport Operário Marinhense, pelas 21H30, uma sessão em que iria actuar José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e outros de que não recordo o nome. O evento gerou logo grande expectativa na juventude marinhense.
A sala estava repleta. Ao fundo do palco um grande cartaz com as primeiras letras de "Roseira brava, roseira...".
O espectáculo estava para começar quando chegaram elementos da polícia política- D.G.S., com ordens para proibir o evento. O ambiente da sala estava pesado, o nervosismo era visível nos rostos dos presentes. Zeca e Adriano percorriam o corredor entre as cadeiras, de um lado para o outro.
Um prestigiado médico local que se encontrava na sala como espectador, endereçou uma mensagem ao Governador Civil de Leiria, tomando a responsabilidade em como o espectáculo decorreria normalmente, sem alterações de ordem pública.
Mais uma espera e seriam talvez umas 23 horas quando veio a resposta: A sessão estava proibida!...
Não havendo mais nada a fazer, tu Zeca, dirigiste-te aos presentes e disseste: "Só nós estamos proibidos de cantar, vós não!... Sendo assim, cantem vocês para nós!..."
Então, perante os agentes atónitos, foi realizada uma sessão inesquecível em que, uma plateia em coro, interpretou um desfilar de canções cujas letras todos sabíamos de cor.
Hoje, constato com alegria que não só a minha geração, mas também os vindouros te admiram e essa é a maior prova da tua imortalidade."


Carlos Rocha Oliveira


3.14.2010

(g) Giz


risco a traços de giz
sóis e luas, círculos
casas e rios
rabiscos
oh… enganei-me…
apago e volto a riscar
árvores frondosas de raízes grandes e profundas
papagaios de papel
o arco íris
o vento soprando as velas de um barco
as primeiras letras
os números, as derivadas,
os logaritmos
projectos
ideias
perenes?
não!
a magia do giz é o pó…
como eu e tu
como nós

11.21.2009

(f) Fio de Vida


suspensos por cordas
pairamos
como marionetas sobre as águas
ora calmas, ora revoltas
e basta que o ténue fio de vida se parta
para sentirmos
a dor e a revolta
o medo
o efémero
impresso como marca d’água no meu peito
a vida
e a morte
e a vida que lhe sucede
estarei eu aqui?
parte de mim partiu
nas águas que passaram sob os pés nus e frios
engrossando as lágrimas que não contive
pois só quando um de nós
se vai
é que damos conta da espessura
do fio de vida
da partida

.

8.04.2009

(playlist) Bomba Relógio

(post-it) As Listas

(apesar de verificar que estou a plagiar as participações do João Paulo Pedrosa no seu novo blog, mantenho os meus "post-it", que aliás já escrevo, embora intermitentemente, desde Novembro de 2005)

Adiante...

O que me leva hoje a escrever estas poucas linhas, é a sensação que tenho de uma certa hipocrisia reinante, sobretudo em vésperas eleitorais. Sinceramente não percebo os comentários feitos por pessoas da área do PS em relação à exclusão de Pedro Passos Coelho das listas do PSD, quando não tiveram uma única palavra ou comentário quando o Dr. Osvaldo de Castro foi relegado nas listas do PS, para número sete por Setúbal, um lugar que não garante a sua eleição. Para bom entendedor...
Cada vez me sinto mais desconfortável com esta realidade político-partidária em que o mérito e o trabalho dedicado são sempre engolidos pelo pântano dos projectos pessoais de poder e pelos interesses das fervilhantes capelinhas, terreno traiçoeiro e lamacento onde se movem sem qualquer pudor cabotinos e caciques.
Ao Dr. Osvaldo Castro o meu reconhecimento pelo trabalho que ao longo destes anos tem desenvolvido no Parlamento.

7.20.2009

"O homem; as viagens"

Hoje ouvi na rádio este poema. Não o conhecia. Confesso até que conheço pouca poesia. Mas a voz e a expressividade (únicas) de Fernando Alves (TSF), fixaram-me a atenção nas palavras. Nem por acaso. Ainda ontem comentava com um familiar: como é possível que o homem consiga feitos tão extraordinários, avanços tecnológicos sem paralelo e não consiga resolver um dos problemas mais básicos da humanidade, a pobreza.
O Homem chegou à lua há já 40 anos…



O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.


Carlos Drummond de Andrade

7.11.2009

SINAIS


Signs

"MOMENTOS"


Ontem, em noite de ante-estreia da peça “Momentos”, pelo grupo de teatro do Sport Operário Marinhense, senti o nervoso miudinho de outros tempos, emocionei-me, diverti-me e, sobretudo, senti um gozo tremendo de ao fim de não sei quantos anos estar novamente do lado de lá. Há muito que não acontecia, pelo que não me surpreendeu o espanto com que alguns me abordaram por me verem ali, longe de imaginarem que sempre ali estive. Eu pertenço ali, embora as circunstância da vida me tenha remetido para aqui. Mas nuca deixei de estar lá. Não digo isto com mágoa, digo-o apenas pela nostalgia dos grandes lapsos de tempo em que estes momentos acontecem na minha vida e pelo grande apelo que sinto por dar o pouco do que de melhor tenho. Não é vaidade, mas antes uma necessidade. É como respirar.
Agradeço à Sandra José ter-me convidado para esta peça, uma peça feita de momentos, uma série de pequenos textos que contam uma não estória, sem princípio nem fim, entrecortada por algumas cantigas, cantadas na primeira pessoa por um circunstancial grupo de rapazes com a mesma paixão – os sons e as palavras.
À Sandra, uma mulher com um profundo sentido estético e uma criatividade extraordinária, o meu obrigado por este momento, a repetir logo à noite quando faltar um quarto para as dez, no auditório do SOM.



(reportagem Jornal da Marinha "Operário prepara novo espectáculo", aqui)