Dia Mundial do Livro
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neste lugar, percorro o abecedário dos prazeres, das paixões e das coisas simples
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Posted by Filipe Gomes at 13:46 1 comments
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Posted by Filipe Gomes at 17:02 2 comments
Cada Coisa
Posted by Filipe Gomes at 23:15 1 comments

Posted by Filipe Gomes at 19:28 3 comments
Posted by Filipe Gomes at 23:35 2 comments
Posted by Filipe Gomes at 09:43 0 comments
E já agora, ajablog
Posted by Filipe Gomes at 23:24 2 comments
Posted by Filipe Gomes at 18:40 0 comments
Posted by Filipe Gomes at 07:29 2 comments
de Alberto Caeiro,
Sou um guardador de rebanhos
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
Posted by Filipe Gomes at 19:33 1 comments

Posted by Filipe Gomes at 06:01 5 comments
Soneto da Lua
Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas, e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros ?
Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?
Fugaz, com que direito tens-me pressa
A alma, que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:
E és tão pouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética e indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!
Vinicius de Moraes
e o meu contributo
(letra e música Filipe Gomes)
só por ti na noite, procurando em vão
um porto seguro na escuridão
não tenho medo que os baixios
me façam naufragar
só por ti eu ia a qualquer lugar
a Lua aparece, o temporal se acalma
e sinto um vazio cá dentro, na alma
cansado de ter resistido
não sei como sobrevivi
pouco depois adormeço pensando em ti
......o corpo como que morreu
......a alma como que partiu
......tu foste o lado da Lua
......que mais ninguém viu
sonho com o vento,
sonho com o mar
e algo me diz que te hei-de encontrar
talvez a próxima maré traga sinais de ti
e o vento me conte o que não vi
o Sol já vai alto, sinto-me acordar
por mais que procure não consigo encontrar
nem o barco em que naveguei,
nem o farol que me guiou
nem o meu amor que o mar me roubou
Posted by Filipe Gomes at 23:47 1 comments
obs: este post foi elaborado e é da inteira responsabilidade do Francisco 
Bom dia avô.
Hoje fazes anos. São quantos anos?
Parabéns avô.
Francisco
Posted by Filipe Gomes at 12:36 6 comments
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Poeta Castrado, Não!
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
é tão vulgar que nos cansa
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
a morte é branda e letal
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos
Será que ainda nos lembrávamos dele? Há coisas que nunca se esquecem...
Posted by Filipe Gomes at 21:07 1 comments
Este extraordinário contador de estórias, resumiu (sem se esgotar!) neste magnífico cd, uma obra e uma carreira sem par na música e na poesia portuguesas. Os convidados são de eleição e a fusão resulta numa atmosfera musical que Sérgio Godinho teve o mérito de nunca macular. Entre os que foram e as gerações vindoras, Sérgio Godinho é para mim uma referência, um irmão do meio que me aconchega na palavra e me embala na melodia.
No meu último aniversário, o mano Lúcio (o "irmão da ponta"), ofereceu-me o livro Uma Biografia Musical de Sérgio Godinho, da autoria de Nuno Galopim. Ainda não o li (por manifesta falta de tempo...), mas tenho a certeza que vou gostar. Quem tem uma obra com a excelência da sua, tem por certo um percurso de vida musical e humano, rico e revelador. Vivó Sérgio!
Para quem teima não esquecer, fiquem com:
O Primeiro Dia
(letra e música: Sérgio Godinho)
A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz se vagabundo
dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que leva a peito
bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vem cansaços e o corpo frequeja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Há coisas fantásticas, não há?
Posted by Filipe Gomes at 10:29 2 comments

Posted by Filipe Gomes at 23:15 3 comments
Posted by Filipe Gomes at 19:53 4 comments
Posted by Filipe Gomes at 12:22 10 comments
Letra: Luis de Camões
Música: Zeca Afonso
Cantares de Andarilho
Orfeu, 1968, LP-33 rpm
Aquela cativa
Que me tem cativo
porque nela vivo
já não quer que viva
eu nunca vi rosa
em suaves molhos
que pera meus olhos
fosse mais fermosa
Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar
Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.
Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.
Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E pois nela vivo,
É força que viva.
Posted by Filipe Gomes at 22:17 5 comments
Posted by Filipe Gomes at 23:41 7 comments

Posted by Filipe Gomes at 01:02 6 comments

Posted by Filipe Gomes at 21:55 2 comments

AQUI EM BAIXO...
letra e música de João Afonso
Posted by Filipe Gomes at 14:23 2 comments

Posted by Filipe Gomes at 23:09 2 comments
(letra e música F. Gomes)
o dia amanhece
como um dia vulgar
nas ruas corre o sangue
dos que vieram
celebrar a noite
que é a cor da face
dos que tombaram
mas que não morreram
dos que tombaram
mas que não morreram
ouvem-se as vozes
dos que não calaram
que o corpo é igual
e que a alma sente
quando a morte vem
não escolhe a côr
e o chão que pisam
não é diferente
e a terra que pisam
não é diferente
(refrão)
mas há quem
da liberdade faça uma bandeira
mas há quem
p’la liberdade passe a vida inteira
sem o sol, sem o céu,
mas com a vontade
de que um novo dia nasça,
de que um homem novo nasça,
em liberdade
Posted by Filipe Gomes at 01:21 3 comments
Grandola Vila Morena
(Letra e Música de José Afonso )
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Posted by Filipe Gomes at 05:00 1 comments
utopia…
só uma coisa te impede de me alcançar,
tu mesmo,
quando me procurando te perdes.
já tinhas pensado nisso?
não, não tinha.
sabes, não tenho tempo,
há coisas bem mais importantes!
será?
e agora que se vive Abril,
cumpriu-se?
“isto é tudo a mesma corja”
diabos te levem se te entendo,
então e as cores fortes do quadro
que me pintaste?
as canções?
as palavras de ordem?
foi tudo em vão?
era jovem e
sabes como são os jovens…
a vida transformou-me.
para pior, pelos vistos.
é isso que pensas de mim?
os teus filhos merecem muito mais!
sabes que por eles,
faço qualquer coisa…
então, o que esperas?
Posted by Filipe Gomes at 17:00 1 comments
Memórias de um Beijo
Lembras-me uma marcha de Lisboa
Num desfile singular,
Quem disse
Que há horas e momentos p'ra se amar
Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal
[refrão]:
As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar
Queria viver tudo numa noite
Sem perder a procurar
O tempo, ou espaço
Que é indiferente p'ra poder sonhar
[refrão]
Quem foi que provocou vontade
E atiçou as tempestade
E amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais
[refrão]
devagar, devagar
Lembram-se? Que "Saudades do Futuro"...
Posted by Filipe Gomes at 12:33 0 comments
Posted by Filipe Gomes at 18:10 1 comments