(f) Fernando Nobre

Quando a poeira destes dias incertos assenta e a espuma das horas se esfuma num fino fio de luz que se desvanece no horizonte, o que é que fica? Ficam as coisas boas, as boas acções de homens bons como Fernando Nobre, que os há...
Preocupados em procurar no passado modelos e referências, que teimamos em não reconhecer no presente e em reivindicar para o futuro, nem damos conta que homens como este são exemplos da nossa incapacidade de ver para além de nós, de transformarmos a nossa vida e o nosso talento numa dádiva de amor.
Fernando Nobre desafia o status e a lógica duma existênciazinha acomodada, insipiente, sem o sal da vida, transformando os números e as estatísticas da guerra e das catátofres em pessoas com rosto e com história, proporcionando-lhes algum consolo e conforto. E é por isso que ele e a AMI merecem aqui uma referência.
letra e música F. Gomes
quando o mar me enche os olhos
tormentos, alma calada
troco os dias pelas noites
e os livros por uma espada
ponho fé em quem confio
e atrevo-me a pedir
que não me falte a coragem
no momento de partir
perdido por cem
perdido por mil
luto com moinhos
contra o homem mais vil
se for derrotado
quero no caixão
versos de um poeta
e a espada na mão
ventos trazem cheiro a morte
dou-te a mão faço-te a cama
chamam por mim esta noite
se voltar volto sem fama
corre-me sangue nas veias
tenho Sancho e armadura
se um dia não voltar
toda a dor o tempo cura